segunda-feira, setembro 21, 2009

Qual o valor dos bons sentimentos?

Nunca concordei "em manter as aparências", mostrar o que não tenho, querer ser o que não sou, fingir sentimentos para agradar os outros, e assim por diante.
Creio que já nasci assim: franca, transparente, e por ser assim, muitas vezes peco, pois a "sociedade" ensina que é preciso "fingir" para não desagradar, para ser "educado". Confesso que não consigo, apesar de às vezes ficar em situação delicada.
Não sei ser amável e carinhosa para alguém que eu não nutro este sentimento. Não sei encenar para agradar. Mesmo que não fale, minhas feições "falam" por mim. Não sei por que sou assim, mas sempre fui.
Hoje quando li (a reportagem abaixo) confesso que achei tão absurdo, tão triste, que fiquei chocada.
Onde estão indo os verdadeiros valores, os sentimentos do ser humano? Não precisamos mais ter amigos, família?Basta pagar "alguém" para fingir este papel?
Posso viver milhões de anos, creio que nunca me acostumarei com estes falsos sentimentos ou a falta.
Eu tenho necessidade de amar, de abraçar, de sorrir, de conversar, mesmo que seja papo furado, desde que seja com pessoas que eu gosto que me faça bem. Eu converso até com o Pituco, apesar dele só latir, nós nos entendemos. Quando viajamos, ele sente saudade de nós, e nós dele.
Não consigo me imaginar solitária (com um coração vazio, sem sentimentos a pessoas, aos animais e a natureza).
E por esse motivo, "amigos de mentirinha" me chocou, me entristeceu, pois se isto existe e faz sucesso, é sinal que os verdadeiros sentimentos e valores estão perdendo o seu lugar e para o "vazio"...

Amigos de mentirinha

Procura por serviços de “aluguel” de falsos colegas, namorados, esposas e padrinhos cresce no país

Padrinho de casamento, Ryuichi Ichinokawa tomou seu lugar entre os convidados, limpou a garganta e, nos minutos seguintes, fez um discurso emocionante sobre o noiva e a noiva. Mas sua fala omitiu um fato crucial – ele mal conhecia o casal.Do momento em que os convidados chegaram à festa até a última música de karaokê da noite, Ichinokawa protagonizou uma enorme – ainda que bem-intencionada – farsa. Ele trabalha em um tipo de serviço com procura crescente no Japão, que envolve o “aluguel” de falsas esposas, padrinhos, parentes, amigos, colegas, namoradas e namorados, tudo com o objetivo de poupar constrangimentos aos clientes em eventos como casamentos e funerais.
Na mesma semana, Ichinokawa adotou ainda outra identidade fictícia, a de tio de um menino de 12 anos e de sua irmã menor em um dia dedicado aos esportes no colégio das crianças.
O japonês torceu por eles, registrou seus esforços com uma câmera de vídeo e participou de provas mistas adultos/crianças.
É improvável, porém, que vá rever algum dia os “sobrinhos” ou sua “irmã”, a mãe deles – uma divorciada cujos filhos eram alvo de “bullying” na escola por causa do pai ausente.
O japonês abriu sua empresa, a Hagemashi Tai (“Eu quero alegrá-lo”, em tradução livre), há três anos e meio, mas mantém um trabalho paralelo, de fabricante de brinquedos.
Depois do sucesso do discurso no casamento, a procura por seus serviços explodiu. Hoje, Ichinokawa, 44 anos, emprega 30 “agentes” das mais diversas idades e de ambos os sexos, mas com uma característica em comum – a capacidade de adotar com facilidade uma nova identidade.
Nos últimos oito anos, o número de agências de “alugue um amigo” dobrou no Japão. Atualmente, são aproximadamente 10 – a mais famosa delas, a Office Agent, tem mais de mil contratados.Conforme especialistas, o crescimento da tendência dos “amigos de mentirinha” é um sintoma das mudanças sociais e econômicas pelas quais passa o Japão, combinadas com a aversão japonesa a contar a outras pessoas os problemas pessoais.
Nos últimos meses, surgiu uma demanda, por exemplo, por “falsos chefes” para empregados demitidos e por “falsos colegas” para aquelas pessoas que nunca ficam em um emprego o tempo suficiente para fazer amigos.Os “agentes” de Ichinokawa cobram 15 mil ienes (R$ 296) para participar de uma festa de casamento, além de um adicional caso precisem fazer um discurso ou cantar karaokê. Sua preparação é intensiva, tentando antecipar qualquer pergunta que, mal respondida, possa causar embaraço para o cliente ou arruinar sua reputação.
– Em três anos e meio, nunca fui pego. Se estou fingindo ser o marido de alguém, faço questão de saber tudo sobre minha “mulher”, do número de seu telefone celular até o que nossos “filhos” têm aprontado nos últimos tempos – afirma Ichinokawa.
Curiosamente, o japonês conseguiu esconder sua “vida dupla” da verdadeira esposa por um bom tempo, até dois meses e meio atrás, quando ela o flagrou dando uma entrevista para um jornalista em um café.
The Guardian/Tóquio

19 comentários:

Everson Russo disse...

Não existe, ou ao menos não se deve existir nada de mentirinha nessa vida, devemos sempre trilhar um caminho de sinceridade e lealdade, e se o assunto for amor, mais ainda...beijos na alma querida e uma linda semana...

wcastanheira disse...

Belas verdades, lindo texto, ótima escolha, faço parte do movimento Amor Exigente, prevenção ao uso de drogas e trabalho sempre nas palestras, viva a sua verdade, jamais busque esconder sua realidade, pois qdo a quiser ou pcisar encontrar pode ser mto tarde. Parabéns bjos, bjos, bjosss

angela disse...

É triste mesmo que tenham pessoas que não podem ou não conseguem ter amigos e tentam manter a aparencia. Este mundo que vivemos tem exigido coisas demais das pessoas, tem que ter capacidade no trabalho, tem que ter familia, amigos, etc tudo sinal de sucesso e capacidade de administrar a vida pessoal, por que é claro que tudo isso não é para atrapalhar o trabalho. Tenho ficado assustada e preocupada com este mundo que viverão nossos filhos. Tem gente demais e cada vez exige-se mais.
Chega de desabafo.
Beijos

uminuto disse...

Que situação tão falsa e tão estranha
um beijo

Bárbara disse...

Nossa eu sou como você:sinceridade sempre!Mas isso sempre me causa problemas mas não vou desistir de ser assim só porque algumas pessoas (que estão erradas) não tem a mesma conduta e querem que eu seja como elas!É dificil lidar com isso e agora eu to mais adepta da omissão,mentir nunca,mas agora só respondo o que me perguntam com sinceridade sempre! bjoo =)

Pelos caminhos da vida. disse...

Os valores hoje estão mudando,mas eu continuo sendo a mesma pessoa transparente,não suporto mentiras,não sei fingir...ou melhor lendo seu texto achei uma pessoa que pensa e age como eu.

Tem bonequinha da sorte(selinho)lá no blog pra vc.

Uma semana se luz.

beijooo.

Maria José disse...

Amiga. Não se impressione com este artigo. As coisas no Japão são diferentes daqui. Ainda somos um povo romântico, solidário, que gosta do contato humano, que chora e ri com os amigos.
Nunca deixe de ser você mesma. Fingir faz mal, primeiro a você. Não vale a pena.
Grande abraço e obrigada pela visita ao meu blog.

Rosemari disse...

Oi Mariana

É triste ter que conviver com mentiras, mas a vberdade é que as pessoas se comprazem na ilusão. A que ponto nossa sociedade chegou.

ZildaeAntonio disse...

Amiga Mariana
Ficamos chocados com a reportagem que você exibiu abaixo do seu Post a respeito do comportamento japonês.
Realmente, é agir com muita frieza, é ser mercenário, vender as emoções. Não podia nem imaginar que isso existisse. Mas, passando aqui fiquei sabendo.
Um abraço fraterno e tudo de bom!

Manoel José de Santana(Manoel Limoeiro) disse...

Ti agradeço também amiga. Que ótimo Blog é o seu. Um abraço de: Manoel Limoeiro de Recife-PE.

Antonio Paulo disse...

Mariana esou novamente com você e não abro. Chega de falsidade temos que ser autênticos sempre.
UM abraço e boa semana.

Kotta1947 disse...

Coisa feia fingir ser o que não é, fingir ter o que não tem,gabarolices só ficam mal. Fiquei siderada não sabia que havia essas empresas. Bjo.

Luciano Braz disse...

Então

Estive a refletir sobre sua postagem!

Sabe, o fato de ter que "fazer teatro as vezes' não quer dizer que perdemos valores ou que perdemos a essencia em viver de sinceridade e realidade, muitas vezes fazemos isto por questão de sobrevivência ou necessidade de Insercção!

"Fingir sentimentos para agradar os outros"

Desculpa se há decepciono mas eu preciso fazer isto muitas vezes ao dia para manter as coisas no lugar e garantir meu lugar estratégico no mundo dos negócios.

Isto me faz ter um cuidado muito especial para jamais transferir esta condição para o meu pessoal.

Bom, se alguem "aqui do meu mundo profissional" ler este meu blog vai achar que enlouqueci rsrs. E que estou ficando mole rsrs!

parabéns adorei o texto, principalmente por que luto todos os dias para não me corromper pela sociedade e continuar com brilho nos olhos e valores bem definidos perante a familia e amigos.

Abraço

Luciano

ONG ALERTA disse...

As pessoas estão extremamente perdidas e vazias que não sabem mais nem conversar umas com as outras imagina fazer amigo ou se permitir conversar com alguém, melhor tem medo de conhecer pessoas, vazio, solidão...
não se faz nada sozinho neste mundo a não ser nascer e morrer...

Fernanda de Oliveira disse...

Oi Mariana, vim agradecer e retribuir a visitinha que vc fez no meu blog e tb tô me tornando sua seguidora tá.

Volte sempre!

Beijocas ;)

Everson Russo disse...

Um beijo minha querida e um lindo dia pra ti.

Beatriz Prestes disse...

Cada vez mais parece que vamos nos transformando em ostras....
Cheios de medos, adversos aos mais simples e doces sentimentos!
Valores como lealdade, parecem em baixa....
Sempre uma riqueza te ler!!
Beijão querida
Bea

Maria gazineu disse...

Mariana,

Adorei teu blog!

Continue nos presenteando com tua sinceridade tão presente nos teus relatos.

Com carinho, Maria.

Maria gazineu disse...

Mariana,

Adorei teu blog!

Continue nos presenteando com tua sinceridade tão presente nos teus relatos.

Com carinho, Maria.