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sexta-feira, novembro 05, 2010

Mulher na Direção

O Matheus tinha que escolher uma crônica do jornal, e fazer uma crítica concordando ou não com o tema,vejam(ou seja leiam a opinião dele)e depois a crônica do L.F.Veríssimo(Fonte Zero Hora 04/11/10):
Opinião do Matheus: A crônica fala sobre o preconceito que os homens ainda tem com as mulheres.
Mesmo fazendo algum tempo que as mulheres estejam trabalhando, dirigindo e mais atualmente jogando futebol, a maioria dos homens não se se conforma com isso e diz que é coisa para homens.
Na direção, eu acredito que o preconceito seja devido à forma de dirigir das mulheres com muita prudência no trânsito.Inclusive as seguradores oferecem desconto para as mulheres motoristas, devido essa prudência que determina menores números de acidentes.
Os acontecimentos no trânsito são idênticos para homens e mulheres, porém devido ao preconceito chama mais atenção quando a mulher está no volante.
Em minha opinião, acredito que já está mais do que na hora de parar com este preconceito, afinal não está no sexo a competência na forma de dirigir.A maioria dos homens age com preconceito devido ao receio da concorrência feminina naquilo que julga seu domínio.



"Mulher na direção"

O preconceito masculino contra as mulheres tem uma longa história
, que vai desde a atribuição da origem de todos os males do mundo ao mitológico vaso (leia-se o útero) de Pandora até a última anedota sobre algum incompreensível (para os homens) hábito feminino. O preconceito tem um lado obscuro e doentio – a misoginia é um traço comum a toda a tradição judaico-cristã, e não vamos nem falar nos extremos de ambiguidade que a mulher provoca na cultura islâmica – mas manifesta-se também nessa persistente perplexidade que a mulher causa no homem, e que já é mais folclórica do que qualquer outra coisa. De acordo com o folclore, homem jamais entenderá a organização de uma bolsa feminina. Homem jamais se acostumará com a peculiar noção de tempo e pontualidade da mulher, e menos ainda com a sua lógica. E homem, decididamente, jamais confiará em mulher na direção.

Se você é homem, pense na seguinte situação. Você está num táxi e um carro na sua frente acaba de realizar uma manobra, digamos, não ortodoxa. O motorista do táxi buzina, reclama e, na ultrapassagem, vê que quem está dirigindo o carro infrator é uma mulher. Comenta:

– Só podia ser. Mulher na direção...

Você faz o quê? Diz ao motorista que ele está sendo antiquado e injusto, que já há quase tantas mulheres quanto homens dirigindo carros, inclusive táxis, e que a maioria não faz loucuras, ou pelo menos mais loucuras do que homens, na direção? Ou sorri, sacode a cabeça e concorda com o motorista?

Confesse: você concorda com o motorista. Você é um cara esclarecido, livre de qualquer forma de intolerância, sem resquícios obscurantistas, mas concorda com o motorista. Ele e você pertencem à mesma irmandade, a do pomo de adão e do xixi em pé, e nada, nem mesmo o bom senso, os fará abandonar suas convicções atávicas. Mulher na direção está invadindo um território que não é dela. É uma ameaça aos seus domínios.

É verdade que, depois de domingo, nosso hipotético motorista talvez mudasse seu comentário irado. Depois de dizer “Viu só? Mulher na direção...”, acrescentaria: “Sem querer falar em política, claro”.