quarta-feira, setembro 08, 2010

Abrir a porta em pleno voo

"Na madrugada da última segunda-feira, um passageiro se sentiu mal e tentou abrir a porta do avião em que viajava de São Paulo para João Pessoa. Posso imaginar perfeitamente o tumulto a bordo. Certa vez, eu estava num airbus quando um garoto de uns 18 anos tentou a mesma proeza, em plena madrugada, a mais de 20 mil pés de altitude. Ele foi detido a tempo pela tripulação, lógico, ou eu não estaria aqui contando o episódio. Mas foi um susto e tanto. Como é que alguém aparentemente sereno, saudável, de repente levanta do seu assento e tenta pular fora sem levar em consideração as consequências?

São inúmeros os claustrofóbicos. Estando num avião fechado, distante da terra firme, o desespero não deve ser fácil de controlar. Uma vez dentro, não há para onde fugir. Ainda assim, alguns arriscam. Imagino que o impulso torna-se mais forte do que a razão. É preciso tentar escapulir, mesmo que o desfecho seja trágico.

Poucas coisas são tão angustiantes quanto se sentir preso a uma situação desconfortável. Há quem faça loucuras menores, mas ainda assim loucuras, como sair de um carro em movimento, sem esperar que ele pare. Temos pressa em nos desvencilhar do que é violento. E nem estou falando de tentativas de agressão, estupro, em que a fuga se faz necessária. Estou falando de violência psicológica. É quando a mente não consegue mais nos ajudar a contemporizar, esperar, relevar. Ela nos deixa totalmente na mão. Apenas ordena: corra!
Abrir a porta em pleno voo é uma metáfora perfeita para essas situações-limite.
Mas seria mais prudente sair fora com algum planejamento e enquanto ainda resta um pouco de juízo. Em vez de terminar uma relação simplesmente sumindo, melhor ter a cortesia de se despedir, o que será levado em conta no caso de um arrependimento. Em vez de sair de um emprego explodindo com o patrão, melhor mandar uma mensagem por e-mail dizendo “venho por meio desta...”, elegantemente deixando a porta aberta para uma nova oportunidade mais adiante. A empregada que não vem trabalhar na segunda, nem na terça, nem na quarta, deixa para trás seus direitos e uma boa carta de recomendação. O adolescente que briga com o pai e desaparece levando uma mochila rompe um laço que um dia lhe fará falta. O pai que também desaparece levando uma mochila e abandona a família rompe um laço que, mesmo que não lhe faça falta, fará aos filhos. Nada como aguardar o momento certo de dar adeus, saindo com calma, explicando seus motivos e dizendo até logo, em vez de abrir a porta em pleno voo sem pensar um segundo nos parceiros de viagem.
Sair esbaforido é quase sempre um suicídio com riscos não calculados."
Fonte:Zero Hora
Agradeço a visita de todos durante o feriadão.A viagem foi ótima. Nesta semana postarei fotos e "relatórios".
Hoje compartilho este texto da Martha,pois para mim, quarta-feira é um dia "cheio".
Desejo um dia iluminado por Deus e produtivo à todos.
Aguardem a minha visita.

19 comentários:

Sonhadora disse...

Minha querida
Passando para deixar o meu beijinho.

Sonhadora

Pelos caminhos da vida. disse...

Não viajei mas tb fiquei ausente nas visitas, agora voltando e matando a saudades dos amigos dos seus cantinhos.

Qto ao post, é terrivel uma sensação assim, eu por ex: não gosto de estar no meio de uma multidão num lugar fechado, não me sinto bem dentro de um elevador, e avião... ah... esse é o meu maior medo, quem sabe um dia eu consiga trabalhar com esse medo e fazer uma viagem dentro de uma avião.

Um ótimo dia pra vc amiga.

beijooo.

Daniel Savio disse...

Mas mesmo assim Mariana, mesmo nas pequenas loucuras (que pode passar despercebidas) é necessário um pouco de educação e dar alguma satisfação / desculpa...

Mas sinceramente, acho que ficaria louco se visse alguém abrindo a porta do avião em pleno voo.

Fique com Deus, menina Mariana.
Um abraço.

Guará Matos disse...

Que bom estar de volta.
Bjs.

Chica disse...

Que bom que aproveitaste.E essa história do voo é danado,heim??/beijos,tudo de bom,chica

Marliborges disse...

Oi Mariana. Adoro os textos da Martha. Obrigada por compoartilhar. Bjsssssss

HSLO disse...

Nossa que coisa viu...

te desejo uma ótima semana.

abraços

Wanderley Elian Lima disse...

Mariana
Vou lhe confessar, tenho pavor de avião. Só entro depois de tomar um lexton de 6mg. Já vi um passageiro saltar em pânico do avião, antes dele decolar, mas já tinham recolhido a escada. Foi um auê.
Beijos

L.O.L. disse...

Tenho pânico de tudo o que seja correr risco de ficar fechado muito tempo. Metro, Elevador, Viajar de Avião, Ficar preso em engarrafamentos, Viagens longas, etc. etc. Um autêntico horror. :(

Kelly disse...

Que loucura essa história de abrir a porta em pleno vôo, como morro de medo, nunca pus os pés num avião, sei não se não iria tentar abrir a porta do avião também rsrs grande beijo

Marilu disse...

Querida amiga, sou claustrofóbica, só de ler já passo mal...Beijocas

brasildobem disse...

Oi Mari, graças a DEus que deste mal eu não sofro. Imagino o pânico sofrido por este passageiro e não queria estar na pele dele.
Bjs

Pensador disse...

Uma brincadeira que ouvi uma vez de um professor de química, ao falar sobre soluções de sais em água, é uma lição que sempre carrego comigo na vida:
Uma solução precipitada, ainda que a precipitação sempre ocorra em função de um excesso de saturação, nunca pode ser considerada uma boa solução.

FERNANDO disse...

Oi, Mariana.
Claustrofobia é um caso sério, mas pode se tornar mais sério ainda em situações como essa que você descreve, por colocar em risco a vida alheia.
Enfim, a vida tem dessas coisas, fazer o quê?
Bom vê-la de volta, ativa e operante. Depois, se der tempo e jeito, dê uma passadinha lá no meu Blog, que hoje completa quatro aninhos. Tem um pedacinho de bolo reservado para você, dona moça.
Beijos.

Eduardo Medeiros disse...

Muito boa a metáfora. Pular do avião em voo sempre é a pior opção.

abraços

Luciano Braz disse...

Ja vivenciei situações assim, mas também não me deixaram pular!

Abraços amiga!

Luciano Braz

ValeriaC disse...

Minha querida, penso que é fundamental não deixamos para trás("engolir") o que sentimos diante das situações e pessoas, tudo sempre deve ser resolvido na hora, para não acumularem fatos que culminem em atitudes drásticas, sem que os outros entendam e acabem por gerar estes desatinos.
Doce tarde amiga...beijos
Valéria

**£ú® disse...

lá em casa a primavera já veio... tem flor prá todo lado... vai lá ver... bj... **£ú®

Louise, Marcia e Deia disse...

Oi, amiga, tem sorteio das Lixas Cel´s no Antenada, passa lá para participar!
Bjs! Lu.
http://antenadaedescolada.blogspot.com/