terça-feira, outubro 06, 2009

Dinheiro, vaidade e vazio

MARTHA MEDEIROS
"Às vezes, um pensamento se instala dentro de nós motivado pelos acontecimentos mais incongruentes. Primeiro, teve a repercussão da crônica de quarta passada, sobre a barriguinha da modelo Lizzie Muller. A maior parte dos e-mails que recebi era de homens jurando que valorizam suas mulheres do jeito que são e que buscar um corpo perfeito é paranoia nossa, e eu acredito neles, então por que sucumbimos a um padrão irreal e fazemos loucuras para atingi-lo?Semana passada, também soube que numa reunião de condomínio foi aprovado um orçamento de R$ 87 mil para decorar o hall e o salão de festas de um prédio.
O bom gosto e o conforto de um ambiente coletivo e pouco utilizado precisa passar por uma conta abusiva?Vou seguir tergiversando.
Estive no Uruguai no último feriado e fiz um programa que nunca faço: fui ao cassino. Não me atraem os jogos de azar, mas minha filha, 18 anos recém feitos, ficou curiosa em conhecer o ambiente e topei, até porque recentemente nos divertimos vendo o ótimo filme Se Beber, Não Case, que se passa em Las Vegas.
Então, lá fomos nós perder uns trocos de livre e espontânea vontade. Mas enquanto a gente brincava de jogar, com dinheiro contado para a experiência, havia à nossa volta gente apostando alto, largando dezenas de notas de US$ 100 sobre a mesa da roleta como se aquilo não valesse nada. Perdiam, jogavam mais, perdiam mais, e não eram viciados, que vício é doença e respeito. Eram mulheres e homens gastando simplesmente porque tinham grana sobrando.
É o mesmo impulso de quem compra uma bolsa de R$ 10 mil: compro porque posso, porque quero, porque faço com meu dinheiro o que bem entender. Mas uma bolsa de menos dígitos não surtiria o mesmo efeito?
A pergunta que engloba todas até agora aqui feitas: por que tanta gente está precisando de tanto?Perfeição, beleza, luxo. Eu não seria louca de desprezar a vaidade humana. Encaro essas buscas como algo legítimo, natural e saudável – até certo ponto. Mas qual o ponto certo? O meu limite é diferente do limite de quem se contenta com artigos de camelô, e também diferente do limite de quem só exige do bom e do melhor, sem concessões.
Ou seja, “até certo ponto” é uma total abstração. Pessoas estabelecem a própria média de acordo com seu bolso e suas carências.Sendo assim, uma medida genérica poderia ser a do vazio existencial de cada um. Será que estamos gastando em cirurgias estéticas desnecessárias, em grifes de preço imoral e em hábitos quase cafonas de tão ostensivos por um prazer pessoal genuíno, ou apenas para nos compensar? É fato: quanto mais sem sentido está a nossa vida, mais ficamos tentados a consumir.
Quanto menos admiramos a nós mesmos, mais necessitamos da aprovação alheia. Quanto mais equivocado foi o caminho que escolhemos, mais tentamos dar a ele algum significado fictício. Quanto menos sabemos lidar com nossa solidão, mais precisamos atrair holofotes.Passei essa semana tergiversando, como se pode notar, tudo para concluir o óbvio. Temos gastado muito e nos dado pouco valor."
Fonte:Zero Hora

12 comentários:

Antonio Paulo disse...

O ser humano e seus conceitos. Acho que quem pode dar-se ao luxo que o faça. Mas eu penso que existem muitas maneiras de usar o dinheiro e bem.

Everson Russo disse...

O dia em que o ser humano deixar o preconceito de lado, e olhar mais pra dentro de si, sera bem mais feliz...e tera um mundo melhor tambem,,,,beijos e uma linda tarde.

ZildaeAntonio disse...

Amiga Mariana
Muito interessante o seu Post. Serve muito bem de reflexão para algumas pessoas que mergulham no vazio da vaidade. Na minha opinião há lugar e tempo para tudo. Claro que todos nós somos vaidosos dentro do limite normal, mas o excesso é perigoso.
Devemos sempre pensar que aquilo que desperdiçamos fará falta a alguém.
Um abraço fraterno e tudo de bom!

Elaine Barnes disse...

É uma grande verdade. As vezes as pessoas não encontram valor por dentro e valorizam o externo. A comppulsão chega a ser tão absurda que depois que compram tudo que o dinheiro pode pagar, começam as reformas na casa. Substituem torneiras e maçanetas por tudo de ouro. Dentro deles um vazio, solidão total e depressão quando esses prazeres deixam de ser suficientes também. bjs e gostei muito do post

angela disse...

Mariana
Uma reflexão perfeita.
beijos

Mariano P. Sousa disse...

Mariana minha amiga!
Que excelente post!
Também vejo por esse lado se estou bem comigo não preciso de artifícios para viver.
mas infelismente a moda atual é ser bombado mesmo na flor da idade, é se considerar gorda mesmo estando abaixo do pêso, gastar e gastar e enfim a sociedade atual é puramente consumista.
Beijão!

ONG ALERTA disse...

Cada um faz das suas coisa o que bem entender, mas sabio é aquele que tem e não precisa mostrar e ajuda quem precisa, dinheiro pode até trazer conforto mas não compra essência de ninguém.

Maria disse...

Oi amada, passai pra deixar um beijo e dizer da sua garra e coragem - Tenho lido suas postagens e meditado bastante sobre atos, conceitos e preconceitos. És defensora dos direitos, como um todo. Parabens

seu gordo disse...

ha certos valores que me assusta,a vida e so uma o valor do ser humano esta barato demais ha fome no mundo ha desingualdade social naoquero parecer a heloisa mais me sinto como tal beijo do gordo economico e olimpico

Bárbara disse...

Tem um selo pra vc no meu blog é o selo "esse blog é show", hj eu não tive tempo de ler seu post =( mas volto com mais tempo depois! =) beijooos

Dalton França disse...

Olá Mariana!
Independente dos argumentos utilizados para justificar extravagâncias de ordem financeira, o concreto é que vivemos em um contexto onde a materialidade impera e a espiritualidade é menosprezada.
Parabéns por nos propor essa profunda reflexão quando seres humanos das mais diversas etnias e ocupação geográfica têm vivido momentos tão árduos!
Um grande beijo!

sandra Freitas disse...

Olá Mariana, na verdade dentro de nós existe um grande vazio que só pode ser preenchido quando achamos o verdadeiro sentido da vida. Ai tudo fica mai simples e mais gostoso.Somos uma luva a espera da mão que se encaixe em nós."imagem e semelhança de Deus", enquanto não nos rendemos a essa verdade ficamos como loucos tentando nos prencher com coisas que não tem a nossa forma.Fiquei muito feliz com sua visita e adorei seu blog. Follow-me pq eu já estou te seguindo.rsrs..
Tenha um restinho de semana iluminado..
Abraços