segunda-feira, julho 01, 2013

O que revelam as manifestações?

A onda de manifestações que atinge as principais cidades brasileiras já entrou para a história. Cinco características são marcantes: 1. Mudança comportamental. O silêncio da população frente a situações indesejadas deu lugar a protestos veementes. 2. Ausência de uma pauta única de reivindicações. A questão do valor das passagens foi somente o estopim dos protestos, que passaram a contemplar outras questões, passando pela corrupção, má qualidade dos serviços públicos, gastos com a Copa do Mundo, privilégios de corporações etc. 3. Noção de que a irresignação popular não pode ficar restrita ao mundo virtual das redes sociais. Para ganhar força e ser eficaz, um protesto tem que ganhar as ruas. 4. Pluralidade de atores e ausência de lideranças. Para a maioria dos participantes, o comparecimento às ruas tem sido espontâneo, fruto de um sentimento de mudança. 5. Caráter apartidário. As manifestações estão repelindo as agremiações partidárias, o que revela o esgotamento do atual sistema eleitoral, a descrença nos partidos políticos e nos seus quadros.

Essas características, por sua vez, levantam questões relevantes: qual será a duração desses movimentos? A partir do instante em que a pauta de reivindicações é ampla, não se esperam resultados em curto prazo. Contudo, se a pressão popular ceder, as reivindicações tendem a perder força. Os protestos tendem a descambar para a violência? Por mais simpática que seja a causa, ela não resistirá à violência, que não é tolerada pela sociedade. O desafio está nas mãos das autoridades que, em colaboração com a maioria pacífica dos manifestantes, têm que remover dos protestos aqueles que, mediante atos violentos, abusam do direito de protestar.

Como a mensagem dos manifestantes será recebida e interpretada por quem detém o poder político? A amplitude das reivindicações, somada à ausência de lideranças, dificulta a interlocução dos seus objetivos. Por fim, esses movimentos terão repercussão nas eleições de 2014? Um baixo índice de renovação dos órgãos de representação coletiva no próximo pleito seria uma contradição com a própria ideia que as manifestações passam. Por certo, o país enfrenta um momento de aprendizado e de reflexão.

*Professor de Direito Constitucional, doutor em Direito do Estado
MARCELO SCHENK DUQUE* | *PROFESSOR DE DIREITO CONSTITUCIONAL, DOUTOR EM DIREITO

Fonte: Zero Hora

3 comentários:

Claudete disse...

Talvez Mariana, é uma opinião de uma pessoa apenas observadora, num primeiro momento exatamente este fato de não haver "explicitamente" uma liderança tenha soado forte e contundente: a voz do povo delirante e retumbante porque não ? Concordo que a longo prazo haja um desgaste e faz-se necessário um comando. Creio que novas forças políticas estão surgindo, afinal a própria mídia no momento em que convoca líderes para entrevistas está fomentando esta idéia. As ´paralisações escalonadas continuam acontecendo por todo o Brasil, até quando? São muitas as categorias sociais a reinvidicar seus direitos ...Uma coisa é certa, as próximas eleições não serão as mesmas, a política num contexto geral também será encarada de outra forma...Surge um novo olhar sobre as questões envolvidas. O povo não pode deixar-se corromper por pequenos ou grandes favores.

As Tertulías disse...

Estamos vivendo um momento histórico... mas será que só sou eu que o sente "terminando", ficando mais fraco, cedendo àquela doenca tao brasileira chamada "Comodidade"? Espero que nao...

vieira calado disse...

Olá, amiga!
Vim ver as novidades.
E ao sair,
deixo beijinhos!