
Eu já avisei o mundo inteiro que quero doar os meus órgãos,e também estou inscrita para a doação de medula óssea.
E tu meu amigo(a) já decidiste que queres continuar vivendo após a tua morte?
Eu amo demais a vida, quero meu coração batendo,meus olhos apreciando a beleza do mundo...por muito tempo, mesmo que sejam em outros corpos.
Vejam que linda esta história real e possível de ser repetida.
Dez anos após receber transplante dos pais, jovem estuda para ser promotor de Justiça
Pai e mãe doaram parte de seus pulmões para que o garoto fosse transplantado.
Quantas vezes um pai pode dar vida ao seu filho? Na história do casal Amadeu e Márcia Busnardo, foram duas vezes. A primeira foi no nascimento do caçula Henrique, em 13 de dezembro de 1986. A segunda foi em 17 de setembro de 1999, quando pai e mãe doaram parte de seus pulmões para que o garoto fosse transplantado.
Ontem, a família comemorou com a equipe da Santa Casa de Porto Alegre uma década do renascimento de Henrique. Atualmente com 22 anos, o jovem chegou há 10 anos na Santa Casa com apenas 12% de sua capacidade pulmonar. Vivera por cinco dias com ventilação mecânica e dependia de tubos de oxigênio. O diafragma distendido e os ombros levantados denunciavam um tentativa vã de injetar ar novo nos pulmões que, inflados em decorrência de uma bronquiolite severa, funcionavam a cada dia menos.
O garoto tinha calos no dorso das mãos porque a única posição em que conseguia permanecer era sentado, apoiado nas mãos. E assim dormia, com o peito recostado em travesseiros. Os pais, Amadeu e Márcia, se revezavam em vigília para dar conforto ao filho, mas viam impotentes a doença aumentar.
– Eu não podia mais suportar ver meu menino daquela forma, precisava fazer alguma coisa – lembra Amadeu
Partiram de Curitiba e desembarcaram em Porto Alegre em busca de uma alternativa.
Diante da carência de doadores, ouviram do cirurgião José Camargo a possibilidade de eles próprios doarem parte de seus pulmões para o filho, um procedimento até então realizado somente nos Estados Unidos.
A proposta era uma alternativa à falta de doadores de órgãos para crianças, e Henrique não poderia esperar.
– O momento mais difícil foi encarar o transplante como única solução. Não me preocupava comigo, mas com as chances de recuperação do meu filho – conta Márcia.
A mãe cedeu parte do pulmão esquerdo para o filho e o pai, o direito. Cada um perdeu cerca de 20% da capacidade pulmonar, o que atualmente não interfere na saúde deles.
Ganharam a vida do filho de volta. Em dois anos, os órgãos transplantados estavam tão adaptados que, estimulados pelo hormônio do crescimento do jovem, estavam crescendo.– Salvamos nosso filho e permitimos que outras famílias pudessem enxergar um novo horizonte de vida – destacou Amadeu sobre o ineditismo da cirurgia.
Nos anos seguintes, foram realizados outros 25 transplantes de pulmão intervivos, em que os doadores normalmente são os pais dos transplantados.
Em 73% dos casos, o procedimento foi um sucesso, e os pacientes ainda vivem.
Depois de perder três anos na escola devido às complicações anteriores ao transplante, Henrique agora cursa o segundo ano de Direito, planeja se formar e prestar concurso para promotor de Justiça.
Gosta de jogar futebol, nadar e andar de bicicleta. Cuida sozinho da medicação diária para evitar a rejeição, controlado de perto pela mãe.
Se tivesse dependido exclusivamente de doadores de órgãos já sem vida, Henrique teria morrido.
Mas a Medicina deu a seus pais a chance de lhe salvar, o que ele reconhece:– O que meus pais fizeram por mim foi muito especial.
ZERO HORA